Os cosméticos orgânicos são mais seguros?

Nem todos os cosméticos que contêm ingredientes naturais podem ser classificados como orgânicos. No sentido de garantir ao consumidor a aquisição de um produto que corresponda às suas expectativas, surgiram entidades de certificação privadas e legalmente reconhecidas que, através da marcação de um logotipo na rotulagem, demonstram que foi feita a avaliação dos parâmetros necessários para que determinado produto seja, ou não, identificado como cosmético orgânico. A nível europeu, é seguida a norma harmonizada designada COSMOS-Standard. Os critérios definidos pela COSMOS-Standard sugerem que no mínimo 20% do conteúdo total de um cosmético orgânico deverá ter origem em agricultura biológica. No entanto, existem exceções como são exemplo os produtos de enxaguamento em que esta percentagem diminui para 10%. Além dos cosméticos orgânicos, podem ser encontrados no mercado cosméticos classificados como naturais. Para estes não se encontra definida nenhuma percentagem mínima quanto ao seu conteúdo em ingredientes de origem em agricultura biológica.
Um cosmético classificado como orgânico não é necessariamente mais seguro face a um cosmético convencional. A segurança destes cosméticos é assegurada pela mesma regulamentação aplicada aos cosméticos convencionais, estando sujeitos à cosmetovigilância operacionalizada pela autoridade competente em Portugal – o INFARMED.
Em geral, o processo envolvido na produção, embalagem e comercialização de cosméticos orgânicos deve assentar em práticas de desenvolvimento sustentável e promover a utilização de ingredientes naturais e materiais ecológicos. Esta classe de cosméticos possui restrições acrescidas ao nível dos ingredientes permitidos na sua composição, invalidando a intervenção de processos de modificação genética, ação de radiações ionizantes e, à semelhança do que acontece para todos os ingredientes cosméticos, a proibição de testes em animais.

- Os cosméticos orgânicos apresentam elevado teor em ingredientes de origem natural, contudo qualquer ingrediente ou produto poderá causar efeitos indesejáveis, independentemente de ser de origem natural ou sintética.

- A segurança e circulação de cosméticos orgânicos no mercado é controlada da mesma forma que os cosméticos convencionais.

Quais os principais alergénios contidos nos produtos cosméticos?

Os produtos cosméticos podem, ocasionalmente, ser responsáveis por efeitos indesejáveis tais como a dermatite de contacto alérgica, que ocorre quando um individuo é sensibilizado por determinado alergénio e desenvolve uma resposta imunológica tardia, após novo contacto com o mesmo. Um alergénio é qualquer substância suscetível de desencadear uma resposta alérgica num indivíduo.
A avaliação da segurança de um produto cosmético envolve a avaliação do potencial alergénico dos seus ingredientes. Como tal, os alergénios mais prováveis de afetar uma parte significativa da população estão sujeitos a restrições, tais como proibição ou limitação da concentração utilizada.
Os principais alergénios em produtos cosméticos são as fragrâncias (ex. Benzyl alcohol; Limonene) e os conservantes. As fragrâncias com elevado potencial alergénico estão previstas no anexo III da Legislação Europeia, e a sua inclusão nos produtos cosméticos acima de determinada concentração deve ser acompanhada da sua menção individual na lista de ingredientes. Mais recentemente, o conservante metilisotiazolinona teve um papel de destaque como alergénio. Esta substância consta no anexo V da legislação, podendo ser utilizada em produtos cosméticos desde que não exceda a concentração máxima permitida. Além disso, é recomendada a sua ausência de produtos cosméticos não destinados a serem removidos da pele. Outros conservantes com potencial alergénico incluem os parabenos.
Em tintas capilares, os alergénios mais comuns são os corantes, nomeadamente a p-fenilenodiamina e derivados. Estas substâncias constam no anexo III da legislação, sendo a sua utilização permitida mas sujeita a restrições. Os persulfatos são alergénios também presentes nesta classe de produtos.
Os sulfitos e bissulfitos, ingredientes com ação antioxidante, demonstraram ser alergénios relevantes e o anexo III da legislação define a concentração máxima destes, permitida em produtos capilares e autobronzeadores.
Os produtos cosméticos são desenvolvidos de forma a minimizar o risco de reação alérgica, sendo que os alergénios mais frequentes, embora permitidos pela Legislação Europeia, estão sujeitos a restrições. No entanto, o risco de desenvolver reação alérgica e a severidade desta depende da suscetibilidade individual.

- Os alergénios mais comuns em produtos cosméticos incluem fragrâncias, conservantes, corantes capilares e antioxidantes
- Estes ingredientes são permitidos pela Legislação Europeia, embora sujeitos a restrições, de modo a minimizar o risco de reação alérgica

Os batons podem ser perigosos para a saúde humana?

Os batons são produtos cosméticos de cuidados labiais e, como tal, sujeitos à legislação relativa aos produtos cosméticos.

Recentemente, tem havido uma preocupação acerca do potencial perigo que alguns batons disponíveis no mercado representam para a saúde humana, devido à presença de ingredientes derivados dos óleos minerais. Em causa estão os hidrocarbonetos saturados (MOSH – Mineral Oil Saturated Hydrocarbons), os hidrocarbonetos aromáticos (MOAH – Mineral Oil Aromatic Hydrocarbons), e os hidrocarbonetos saturados sintéticos (POSH – Polyolefinic Oligomeric Saturated Hydrocarbons).

A presença destes compostos nos produtos labiais tem sido demonstrada em vários países europeus e os valores detetados são considerados preocupantes para a saúde humana, supondo que a ingestão dos produtos labiais seja uma fonte de exposição significativa. Relativamente à exposição cutânea, a evidência científica  atual fundamenta que esta não constitui um risco para a saúde humana, dado que a absorção dos compostos derivados de óleos minerais presentes  em produtos cosméticos através da pele é desprezável , não atingindo a circulação sanguínea.

De acordo com a presente legislação, os ingredientes derivados de óleos minerais não podem ser incluídos em produtos cosméticos, exceto se forem conhecidos todos os antecedentes de refinação e se se puder provar que o material a partir da qual foram produzidos não é carcinogénico. Mais ainda, alguns destes compostos são proibidos se contiverem mais de 3% de MOAH policíclicos com anéis de 3 a 7 (3-7 PAC), o que se relaciona com a sua carcinogenicidade.

Outros ingredientes derivados dos óleos minerais e os POSH, não mencionados no anexo II da Legislação Europeia, são permitidos em produtos cosméticos e foram considerados seguros pela organização Cosmetic Ingredient Review. A avaliação da segurança de produtos labiais tem em conta não só as condições de utilização normais ou razoavelmente previsíveis, mas também a sua ingestão inadvertida.

Em suma, os batons são formulados de modo a garantir a segurança da sua utilização para o consumidor e a inclusão de ingredientes derivados de óleos minerais na sua composição é permitida, embora sujeita a restrições pela Legislação Europeia, e considerada segura de acordo com a evidência científica e o longo historial da sua utilização em produtos cosméticos disponíveis no mercado.

- Os hidrocarbonetos designados MOSH, MOAH e POSH derivados dos óleos minerais foram detetados em alguns batons disponíveis no mercado, o que suscitou alguma preocupação com a utilização destes produtos

- Contudo, os óleos minerais para poderem ser utilizados em produtos cosméticos, incluindo em produtos labiais, devem ser seguros, altamente refinados e não apresentarem potencial carcinogénico

Os nanomateriais são seguros para utilização em produtos cosméticos?

legislação europeia preconiza a segurança para a saúde humana de qualquer produto cosmético, incluindo os que contêm nanomateriais. Estes deverão ser identificados com o sufixo (nano) na lista de ingredientes descrita na embalagem dos produtos cosméticos.

Além dos requisitos transversais a todos os produtos cosméticos, a avaliação da segurança dos nanomateriais envolve considerações especiais atendendo a  caraterísticas, interações e efeitos potencialmente distintos dos apresentados pelos mesmos materiais nas suas dimensões convencionais. A Pessoa Responsável por determinado produto cosmético que contém nanomateriais deverá comunicar à Comissão Europeia todas as informações sobre as propriedades físicas e químicas dos mesmos, assim como os dados relativos à sua segurança, através do Portal de Notificação de Produtos Cosméticos, seis meses antes da sua colocação no mercado.

Atualmente, existem apenas alguns ingredientes cuja utilização sob a forma de nanomateriais se encontra autorizada em produtos cosméticos, tais como filtros ultravioleta (dióxido de titânio, óxido de zinco,tris-biphenyl triazine(ETH-50), methylene bis-benzotriazolyl tetramethylbutylphenol (MBBT)) e corantes (negro de carbono).

De acordo com o Comité Científico da Segurança dos Consumidores (CCSC), existem potenciais riscos teóricos associados à aplicação de nanomateriais em produtos cosméticos. Estes relacionam-se com a sua possível absorção através da pele, trato respiratório, mucosas ou barreira gastrointestinal. Atendendo à sua possível toxicidade pulmonar pela inalação e acumulação no organismo, a utilização destes ingredientes em produtos formulados sob a forma de aerossol/spray deve ser criteriosamente ponderada.

O conhecimento existente quanto à segurança dos nanomateriais presentes em produtos cosméticos é constantemente atualizado segundo os dados científicos disponíveis. Atendendo ao contínuo progresso científico, associado à revisão periódica da segurança de ingredientes cosméticos, as entidades europeias responsáveis propõem, sempre que necessário, atualizações à legislação em vigor.

- A avaliação da segurança dos ingredientes incorporados sob a forma de nanomateriais envolve considerações especiais dado que as suas caraterísticas poderão ser distintas das apresentadas pelos mesmos materiais nas suas dimensões convencionais.

- O conhecimento existente face à segurança dos nanomateriais continuará a ser atualizado de acordo com a contínua evolução científica e, quando necessário, transposto para a legislação europeia.

As tintas capilares sem amoníaco são mais seguras?

Nas formulações para coloração capilar permanente é frequente a utilização do amoníaco que proporciona o meio alcalino ideal ao levantamento da cutícula externa da haste, possibilitando a entrada dos corantes até ao córtex da fibra capilar.

Contudo, este ingrediente é associado ao seu odor caraterístico e ao potencial para irritar o trato respiratório, pele e olhos. As preparações que o contêm devem ser utilizadas com precaução. No entanto, não existem evidências que relacionem o uso do amoníaco com efeitos adversos graves sobre a saúde humana em consequência da exposição a baixos níveis deste ingrediente.

A principal diferença entre uma tinta capilar demi-permanente face a uma tinta permanente é o agente alcalino utilizado, sendo que na primeira são utilizadas alternativas ao amoníaco como o aminometilpropanol (AMP), as etanolaminas e carbonato de sódio, sendo a monoetanolamina (MEA) a opção mais frequente. Assim, as tintas capilares demi-permanentes apresentam durabilidade inferior e menor poder para modificar a cor original da haste capilar, sendo adequadas para escurecer o cabelo ou manter uma cor semelhante à inicial.

Tanto o amoníaco como a MEA apresentam potencial para alterar as propriedades da haste capilar e esta última, apesar do seu odor mais discreto, não evapora rapidamente como o amoníaco, pelo que os seus resíduos poderão permanecer sobre o couro cabeludo e cabelo após o procedimento de coloração. Desta forma, a MEA poderá conduzir a irritação cutânea e dano sobre a haste capilar com alteração da qualidade da cutícula e perda de proteínas estruturais.

De acordo com a legislação em vigor, tintas capilares com concentrações de amoníaco superiores a 2% deverão conter a seguinte menção na embalagem: “contém amoníaco”, sendo que este poderá ser incluído nestes produtos em concentrações até 6%. Segundo o comité de especialistas da Cosmetic Ingredient Review, o amoníaco ou o hidróxido de amoníaco são seguros para utilização em procedimentos de coloração capilar desde que utilizados de acordo com as recomendações em vigor.

- As tintas capilares sem amoníaco não são necessariamente mais seguras.

- A segurança de uma tinta capilar relaciona-se com a concentração em que cada ingrediente se encontra e com as caraterísticas da formulação final.

- O amoníaco ou o hidróxido de amónio são seguros para procedimentos de coloração capilar desde que utilizados de acordo com as recomendações em vigor.

A utilização do formaldeído em produtos cosméticos é segura?

O formaldeído é um composto volátil que é usado dissolvido em água em produtos cosméticos tais como endurecedores de unhas e produtos para desfrisar/alisar o cabelo. Podem também ser utilizadas substâncias que libertam formaldeído – designadas como libertadores de formaldeído. Estes últimos ingredientes são utilizados nos produtos cosméticos como conservantes.

De acordo com o anexo III do Regulamento CE nº 1223/2009, a concentração de formaldeído usada em produtos para cuidado de unhas (endurecedores) não deve exceder 5%. Já no anexo V, contemplando o formaldeído usado como conservante, está estipulado que não deve ser excedida a concentração de 0,2%, à exceção dos produtos de higiene oral, em que a concentração deste ingrediente deve ser inferior a 0,1%. Mais ainda, este não pode ser usado em aerossóis (sprays). Quando a concentração em formaldeído ou substâncias que libertem formaldeído exceder 0,05%, os produtos cosméticos devem obrigatoriamente conter na rotulagem a advertência «contém formaldeído».

De acordo com a organização Cosmetic Ingredient Review, a utilização de formaldeído e substâncias que libertam formaldeído como conservantes ou em produtos para unhas é segura nas atuais condições de utilização, desde que a sua concentração não exceda os limites regulamentados. Por outro lado, esta organização concluiu em 2013 que a utilização de formaldeído em produtos para desfrisar/alisar o cabelo, nas concentrações e práticas de utilização à data do relatório, poderia constituir um risco para a Saúde humana. Aquando da utilização dos “ferros de alisamento” no cabelo, o formaldeído é vaporizado por ação do calor podendo causar lesões na pele por contacto e no trato respiratório, por inalação do gás. A inalação crónica e prolongada do formaldeído pode ainda conduzir a náuseas, vómitos, desmaios e ao aumento risco de cancro nas vias aéreas superiores. Perante isto, o Infarmed emitiu a recomendação que o alisamento do cabelo deva ser realizado com produtos que não contenham formaldeído em concentrações superiores a 0,2% e informou da existência de outros ingredientes com a mesma função tais como ácido tioglicólico, hidróxido de potássio ou de sódio ou hidróxido de lítio, permitidos na legislação.

Em 2011, o Infarmed realizou um estudo no âmbito da monitorização do mercado nacional de produtos cosméticos que contemplou uma análise laboratorial de “Produtos Cosméticos e de Higiene Corporal para desfrisagem do cabelo”, tendo sido determinado o respetivo teor de formaldeído. A maioria da amostra (95,5 %) estava em conformidade com os requisitos legais. Um lote que estava em não conformidade foi sujeito a suspensão imediata de comercialização e retirada do mercado português, garantindo-se assim a proteção da Saúde pública.

-A utilização de formaldeído em produtos cosméticos como conservante e em produtos para unhas é segura, dentro dos limites estabelecidos pela legislação.

-A utilização de formaldeído em produtos para desfrisar/alisar o cabelo é segura apenas quando utilizado na concentração máxima de 0,2%.

Os esfoliantes com esferas de polietileno (microplásticos) são perigosos?

O polietileno é um polímero composto por unidades de etileno comumente usado em produtos cosméticos. Este composto pode ser utilizado no seu estado líquido como solvente ou agente viscosificante, ou no estado sólido sob a forma de pequenas esferas de plástico – microesferas (<5mm). As microesferas de polietileno são usadas em produtos esfoliantes devido à sua ação abrasiva, bem como em produtos de higiene corporal e pastas dentífricas.

A utilização de produtos cosméticos que contêm polietileno não representa qualquer perigo para a Saúde humana, tal como avaliado pela organização Cosmetic Ingredient Review, que analisa a segurança dos ingredientes cosméticos.

Estas microesferas poderão contudo ter um impacto negativo no meio ambiente. O uso de esfoliantes requer enxaguamento para a sua remoção e desta forma, as microesferas de polietileno podem atingir o meio aquático. A ocorrência de lixo marinho plástico é um problema de interesse crescente a nível mundial. Apesar do  contributo das microesferas de polietileno ser mínimo, existe  preocupação com a possibilidade de afetar a vida marinha e os ecossistemas aquáticos.

Atualmente, a utilização de microesferas de plástico nos produtos cosméticos é proibida nos Estados Unidos da América e no Reino Unido. A entidade Cosmetics Europe recomenda a sua descontinuação nos produtos cosméticos com enxaguamento, a partir de 2020. Na verdade, tem-se verificado uma tendência no sentido de diminuir a sua utilização na União Europeia, resultante de um esforço voluntário das indústrias cosméticas. Realce-se que existem atualmente alternativas naturais às esferas de polietileno que não representam perigo ambiental dada a sua natureza biodegradável.

A menção de polietileno (“polyethylene”) na lista de ingredientes de um produto cosmético não significa necessariamente a presença de microesferas, uma vez que este se pode encontrar no estado líquido ou outro, desempenhando diferentes funções. Destaque-se que o polietileno é reconhecido como um ingrediente de utilização segura para a saúde humana, nos vários estados físicos.

- O polietileno utilizado em produtos cosméticos não representa perigo para a Saúde humana

- A utilização de microesferas de plástico nos produtos cosméticos é proibida em alguns países e tem vindo a diminuir na União Europeia, devido aos efeitos nefastos que pode ter para os ecossistemas marinhos

Qual o pH ideal de um produto cosmético?

O pH da pele poderá variar de acordo com a etnia, género, região do corpo, idade ou perante alterações hormonais e patologias cutâneas. A escala de pH é uma escala numérica compreendida entre 1 e 14, sendo que o valor 1 corresponde ao mais ácido, 7 ao neutro e 14 ao mais alcalino ou básico. Não existe um pH ótimo a que todos os produtos cosméticos devam obedecer, nem se pode considerar que o pH neutro seja o mais vantajoso para a pele.

Os produtos cosméticos de aplicação cutânea são frequentemente formulados com um pH ligeiramente acídico uma vez que a pele, em resultado de fatores endógenos encontra-se revestida por um manto acídico: o filme hidrolipídico. Assim, um pH entre 4-4.5 favorece a integridade cutânea, evitando a instalação de organismos patogénicos que têm frequentemente preferência por meios mais alcalinos.
Além de favorecer a integridade cutânea, o pH ligeiramente ácido poderá contribuir para melhorar a estabilidade química e microbiológica do produto cosmético, assim como para aumentar a sua eficácia.

Contudo, a função de alguns produtos cosméticos implica que estes apresentem valores de pH muito diferentes do local anatómico onde serão aplicados como é o caso das tintas capilares, descolorantes ou depilatórios. Existem também produtos cosméticos com a função de repor estas alterações de pH, tais como finalizadores das colorações capilares ou dos condicionadores, ambos com pH acídico para contrariar a ação alcalina de procedimentos prévios.

A utilização repetida de produtos com pH muito afastado do pH do local de aplicação poderá implicar perturbação da integridade cutânea, o que nos conduz à importância da escolha de produtos adaptados à matriz de aplicação (pele, haste capilar ou mucosas) e à função pretendida. Para a utilização segura de determinados ingredientes, a legislação estabelece valores de pH recomendados em diferentes contextos.

- Não existe um pH considerado ótimo aplicável a todos os produtos cosméticos.

- Os produtos cosméticos devem preservar a integridade da barreira cutânea e a seleção do pH deverá ser efetuada atendendo à função e local de aplicação.

O sulfato de laurilo e sódio, ingrediente comum em champôs, é tóxico?

O sulfato de laurilo e sódio trata-se de um agente tensioativo aniónico (carga negativa) que apresenta elevado poder detergente. Inclui-se no grupo de tensioativos aniónicos designados como sulfatos, os quais podem ser utilizados em produtos de higiene, como é o caso dos champôs, em concentrações muito variáveis que podem ir até 50.0%.

Nenhum ingrediente desta classe de tensioativos consta como parte da lista das substâncias proibidas pela legislação. No entanto, são conhecidos alguns aspetos menos positivos associados a estes ingredientes. No contexto específico dos champôs, o sulfato de laurilo e sódio, pelo seu forte poder detergente, poderá apresentar um elevado efeito de remoção de lípidos do couro cabeludo e da haste capilar, alterando a qualidade dos mesmos. Sabe-se que estes ingredientes podem ser causa de irritação a nível ocular, da pele e do trato respiratório. Entre os tensioativos aniónicos da classe dos sulfatos, o sulfato de laurilo e sódio apresenta maior potencial para causar situações de irritação cutânea, principalmente em indivíduos com afeções dermatológicas. Apesar dos aspetos referidos, a sua utilização é considerada segura desde que esteja de acordo com o descrito na rotulagem e com os aspetos regulamentares em vigor.

Em geral, quanto maior o tempo de permanência na pele das formulações contendo este ingrediente maior a probabilidade de irritação. A ocorrência de reações cutâneas poderá estar ainda relacionada com a sua concentração na fórmula, a qual não deve ser superior a 1% em produtos para contacto prolongado com a pele. No entanto, não existem evidências de toxicidade a nível humano em resultado do contacto deste ingrediente ou dos seus derivados a partir de produtos cosméticos.

- A inclusão de sulfato de laurilo e sódio como agente tensioativo em produtos cosméticos é segura desde que utilizados de acordo com as condições previstas na legislação.
- Os tensioativos aniónicos da classe dos sulfatos são agentes de lavagem sujeitos a enxaguamento e, portanto, o seu tempo de contacto com a pele é reduzido, além de se encontrarem normalmente combinados com agentes suavizantes e em mistura com tensioativos com outras propriedades químicas, o que faz com que a probabilidade de ocorrência de efeitos indesejáveis seja reduzida.

Os conservantes conhecidos como parabenos são permitidos em produtos cosméticos?

Os parabenos são conservantes que têm como objetivo impedir o crescimento de bactérias e fungos. Estes microrganismos proliferam facilmente em produtos com uma elevada quantidade de água, como é o caso de alguns produtos cosméticos. Quando contaminados microbiologicamente, os cosméticos podem sofrer alterações na cor, homogeneidade, odor e textura, não apresentando qualidade adequada ao seu uso.

Assim, os parabenos são utilizados para preservar a qualidade e segurança dos produtos cosméticos, já que estes são muito eficazes, mesmo em concentrações reduzidas, e porque raramente interagem com os restantes ingredientes cosméticos.

Tem sido prática comum a menção na rotulagem de “não contém parabenos”. No entanto, a Legislação Europeia continua a permitir a utilização de alguns destes conservantes em concentrações devidamente regulamentadas. Na Europa, podem ser utilizados o metilparabeno, etilparabeno, propilparabeno e butilparabeno; sendo que estes dois últimos não são permitidos em cosméticos destinados para a aplicação na zona da fralda, e a sua inclusão em produtos para crianças com menos de 3 anos deve ser acompanhada do alerta: “não utilizar na zona coberta pelas fraldas”.

Até à presente data, não existe evidência científica que comprove que os parabenos legalmente permitidos na composição de cosméticos possam constituir um risco para a saúde.

Além de se encontrarem obrigatoriamente em concentrações inferiores a 0,8%, estes ingredientes têm uma absorção limitada quando aplicados à superfície da pele, sendo rapidamente metabolizados e eliminados pelo organismo.

No entanto, os parabenos têm alguma atividade semelhante à dos estrogénios, hormonas sexuais, embora esta seja entre 10 mil a 2,5 milhões vezes inferior à do 17β-estradiol, estrogénio presente no organismo humano. Este facto levantou alguma preocupação no seio da comunidade científica, e levou à realização de diversos estudos experimentais.

Contudo, a organização Cosmetic Ingredient Review que avalia regularmente a toxicidade dos ingredientes cosméticos suporta a segurança o uso destes conservantes em produtos cosméticos.

A utilização dos parabenos em cosméticos é permitida pela Legislação Europeia, que estabelece concentrações máximas destes ingredientes.

Não existe evidência científica que levante preocupações quanto à segurança da utilização dos parabenos legalmente permitidos nos produtos cosméticos.

Os parabenos são os conservantes mais estudados e para os quais está melhor fundamentada a segurança.