Qual a constituição dos aftershaves?

Os aftershaves são produtos utilizados, após o barbear, para combater a irritação cutânea que este ato produz. Para além de suavizarem a pele irritada, têm um efeito refrescante e hidratante, diminuem o fluxo sanguíneo, tonificam, têm ação antibacteriana e previnem as foliculites, entre outros. Estes produtos podem existir sob diferentes formas tais como: loções, geles e emulsões/bálsamos. 

De uma forma geral, os aftershaves são constituídos por:

  • Água – veículo;
  • Antisséticos - como o álcool ou o cloreto de benzalcónio, com o objetivo de prevenir o desenvolvimento de microrganismos; 
  • Adstringentes - como extrato de hamamélis ou alúmen, para promover a cicatrização de pequenos cortes;
  • Agentes hidratantes e de reposição do filme hidrolipídico - como a glicerina, o propilenoglicol, o sorbitol, a lecitina, o pantenol, as ceramidas ou o óleo de cártamo, entre outros;
  • Suavizantes - como a água termal, a alantoína, o bisabolol, o extrato de calêndula ou a vitamina E (tocoferol);
  • Refrescantes - como o mentol e seus derivados; 
  • Corretores do pH - como o ácido cítrico; 
  • Conservantes (quando necessário); 
  • Corantes e aromatizantes - para melhorar as propriedades sensoriais da formulação.

Consoante se trate de uma emulsão/bálsamo, gel, loção ou outros, poderá conter outros aditivos, como por exemplo: agentes emulsivos ou viscosificantes.

- Os aftershaves são constituídos essencialmente por água, antisséticos, adstringentes, emolientes, suavizantes, refrescantes, corantes e aromatizantes, que lhes conferem as suas propriedades hidratantes e suavizantes.

- Podem ser encontrados sob diferentes formas, o que influencia a sua composição.

Que tipos de tintas capilares existem?

As tintas capilares variam em função do tipo de coloração produzida, do seu poder de cobertura e durabilidade. Entre as mais comuns encontram-se as tintas temporárias, semipermanentes e permanentes:

- As colorações temporárias apresentam corantes de elevada massa molecular que ficam aderidos à cutícula da haste capilar. A cor desaparece uma vez que são facilmente removíveis com água. Poderão ser formuladas sob a forma de champô, gel, emulsão ou em solução para aplicação única ou contínua. As colorações de aplicação contínua - colorações progressivas - recorrem a catalisadores metálicos que reagem formando sais que se depositam sobre a haste. A sua aplicação diária conduz ao escurecimento gradual do cabelo.

- As colorações semi-permanentes resultam de uma mistura de corantes com alguma capacidade de penetrarem até ao córtex capilar. A coloração é eliminada após cerca de 10 lavagens. Permitem colorações em tons aproximados do original e são habitualmente utilizadas para cobrir os primeiros cabelos brancos.

- As tintas permanentes contêm precursores incolores que, em meio oxidante alcalino, penetram até ao córtex e aí reagem com acopladores para formar moléculas de elevada massa molecular que ficam retidas no interior da haste capilar, atribuindo-lhe cor. Com este tipo de coloração é possível obter uma elevada diversidade de cores de longa duração, de acordo com as combinações entre precursores e acopladores. Por outro lado, se o meio oxidante alcalino for mais suave, os corantes fixam-se em menor extensão - colorações demi-permanentes. Este meio reacional permitirá atingir uma cobertura de cerca de 50% dos cabelos e menor diversidade de cores.

Assiste-se atualmente a um elevado dinamismo na investigação em coloração capilar. Entre os vários exemplos em estudo incluem-se as soluções de coloração formuladas sem recurso a agentes oxidantes, com interferência mínima sobre a haste capilar, recorrendo, por exemplo, a sais de titânio ou ao grafeno.

- As tintas temporárias, semi-permanentes e permanentes são as três principais categorias de tintas capilares, por ordem crescente do seu poder de cobertura e durabilidade de coloração.

- As tintas demi-permanentes e permanentes envolvem reações de oxidação-redução em meio alcalino, o que resulta em maior durabilidade da coloração.

Que filtros solares inorgânicos poderão ser encontrados nos produtos cosméticos?

Os filtros solares inorgânicos são partículas que refletem, dispersam ou absorvem a radiação solar, com amplo espetro de atuação contra as radiações do tipo UVB e UVA, sendo frequentemente incluídos em protetores solares.

O óxido de zinco e o dióxido de titânio são os filtros solares inorgânicos cuja utilização é permitida nos produtos cosméticos em concentrações até 25%, desde que em conformidade com a legislação atual.

Estes ingredientes poderão também ser incluídos em produtos cosméticos com a função de corante.

Quando as partículas destes filtros inorgânicos apresentam um tamanho elevado não são transparentes à radiação visível, o que resulta muitas vezes em formulações inestéticas que originam uma película branca e opaca após aplicação na pele. No sentido de modificar as suas propriedades e alterar a sua apresentação cosmética, estes filtros podem ser utilizados sob a forma de nanomateriais. Nesse caso, devem ser identificados na lista de ingredientes constante da rotulagem com os termos Zinc Oxide (nano) e Titanium Dioxide (nano), de acordo com a nomenclatura internacional INCI.

Alguns protetores solares apresentam unicamente na sua composição filtros inorgânicos, enquanto que outros combinam filtros orgânicos com filtros inorgânicos com o propósito de aumentar a sua estabilidade físico-química, modular o grau de proteção solar e a cosmeticidade do produto fotoprotetor.

- O óxido de zinco e o dióxido de titânio são os filtros solares inorgânicos cuja utilização é permitida nos produtos cosméticos, desde que em conformidade com a legislação atual. 

- Além da sua utilização em produtos cosméticos como filtros solares, estes ingredientes poderão desempenhar outras funções tais como corante.

A utilização do formaldeído em produtos cosméticos é segura?

O formaldeído é um composto volátil que é usado dissolvido em água em produtos cosméticos tais como endurecedores de unhas e produtos para desfrisar/alisar o cabelo. Podem também ser utilizadas substâncias que libertam formaldeído – designadas como libertadores de formaldeído. Estes últimos ingredientes são utilizados nos produtos cosméticos como conservantes.

De acordo com o anexo III do Regulamento CE nº 1223/2009, a concentração de formaldeído usada em produtos para cuidado de unhas (endurecedores) não deve exceder 5%. Já no anexo V, contemplando o formaldeído usado como conservante, está estipulado que não deve ser excedida a concentração de 0,2%, à exceção dos produtos de higiene oral, em que a concentração deste ingrediente deve ser inferior a 0,1%. Mais ainda, este não pode ser usado em aerossóis (sprays). Quando a concentração em formaldeído ou substâncias que libertem formaldeído exceder 0,05%, os produtos cosméticos devem obrigatoriamente conter na rotulagem a advertência «contém formaldeído».

De acordo com a organização Cosmetic Ingredient Review, a utilização de formaldeído e substâncias que libertam formaldeído como conservantes ou em produtos para unhas é segura nas atuais condições de utilização, desde que a sua concentração não exceda os limites regulamentados. Por outro lado, esta organização concluiu em 2013 que a utilização de formaldeído em produtos para desfrisar/alisar o cabelo, nas concentrações e práticas de utilização à data do relatório, poderia constituir um risco para a Saúde humana. Aquando da utilização dos “ferros de alisamento” no cabelo, o formaldeído é vaporizado por ação do calor podendo causar lesões na pele por contacto e no trato respiratório, por inalação do gás. A inalação crónica e prolongada do formaldeído pode ainda conduzir a náuseas, vómitos, desmaios e ao aumento risco de cancro nas vias aéreas superiores. Perante isto, o Infarmed emitiu a recomendação que o alisamento do cabelo deva ser realizado com produtos que não contenham formaldeído em concentrações superiores a 0,2% e informou da existência de outros ingredientes com a mesma função tais como ácido tioglicólico, hidróxido de potássio ou de sódio ou hidróxido de lítio, permitidos na legislação.

Em 2011, o Infarmed realizou um estudo no âmbito da monitorização do mercado nacional de produtos cosméticos que contemplou uma análise laboratorial de “Produtos Cosméticos e de Higiene Corporal para desfrisagem do cabelo”, tendo sido determinado o respetivo teor de formaldeído. A maioria da amostra (95,5 %) estava em conformidade com os requisitos legais. Um lote que estava em não conformidade foi sujeito a suspensão imediata de comercialização e retirada do mercado português, garantindo-se assim a proteção da Saúde pública.

-A utilização de formaldeído em produtos cosméticos como conservante e em produtos para unhas é segura, dentro dos limites estabelecidos pela legislação.

-A utilização de formaldeído em produtos para desfrisar/alisar o cabelo é segura apenas quando utilizado na concentração máxima de 0,2%.

Qual é o prazo de validade de um produto cosmético?

O consumidor deve ser informado sobre o prazo de validade do produto cosmético que pressupõe a data até à qual o produto continua a cumprir a sua função inicial e permanece seguro. Tal data é designada como “data de durabilidade mínima”, geralmente conhecida como prazo de validade. Durante este tempo, o produto cosmético deve cumprir os requisitos necessários para a sua utilização, sendo garantida a sua qualidade e segurança.

A maioria dos produtos cosméticos têm uma durabilidade mínima superior a 30 meses, pelo que devem indicar na rotulagem o tempo durante o qual o produto pode ser usado sem riscos após abertura da embalagem. Esta informação é indicada por um símbolo (boião aberto) que inclui o período de utilização em meses e/ou anos. Os produtos cosméticos com uma durabilidade mínima inferior a 30 meses têm de indicar no rótulo uma data limite de utilização. Tal pode ser mencionada através do símbolo da “ampulheta” seguida da data, em dia/mês/ano ou mês/ano ou através da expressão “a utilizar de preferência antes de…”.No entanto, existem cosméticos sem prazo de validade indicado na embalagem, isto acontece no caso de produtos que não correm risco de deterioração ou de produtos que não se abrem. Exemplo destes cosméticos são os aerossóis, uma vez que se encontram efetivamente selados, os perfumes, cujo conteúdo em álcool é elevado, ou o caso dos produtos em embalagem unitária.

Os cosméticos para aplicação na área dos olhos têm uma durabilidade mínima mais limitada do que outros produtos, uma vez que são mais suscetíveis à contaminação durante o uso pelo consumidor e devido ao risco de infeção ocular.

O armazenamento correto é um ponto-chave para preservar a durabilidade do cosmético. Assim, é importante evitar a exposição a altas temperaturas e o frasco deve ficar devidamente fechado.

-O prazo de validade é o tempo estipulado pelo fabricante na qual é garantida a utilização segura de um produto cosmético em boas condições.

-É referido na rotulagem, sendo indicado através de uma data, precedida do símbolo da ampulheta ou da expressão “a utilizar de preferência antes de…” ou com a indicação do período após abertura. 
Há produtos, nomeadamente aerossóis, perfumes, cosméticos em embalagem unitária que podem não referir o prazo de validade no rótulo.

-É fundamental garantir o armazenamento correto dos produtos cosméticos, de modo a preservar a durabilidade dos mesmos.

Os conservantes conhecidos como parabenos são permitidos em produtos cosméticos?

Os parabenos são conservantes que têm como objetivo impedir o crescimento de bactérias e fungos. Estes microrganismos proliferam facilmente em produtos com uma elevada quantidade de água, como é o caso de alguns produtos cosméticos. Quando contaminados microbiologicamente, os cosméticos podem sofrer alterações na cor, homogeneidade, odor e textura, não apresentando qualidade adequada ao seu uso.

Assim, os parabenos são utilizados para preservar a qualidade e segurança dos produtos cosméticos, já que estes são muito eficazes, mesmo em concentrações reduzidas, e porque raramente interagem com os restantes ingredientes cosméticos.

Tem sido prática comum a menção na rotulagem de “não contém parabenos”. No entanto, a Legislação Europeia continua a permitir a utilização de alguns destes conservantes em concentrações devidamente regulamentadas. Na Europa, podem ser utilizados o metilparabeno, etilparabeno, propilparabeno e butilparabeno; sendo que estes dois últimos não são permitidos em cosméticos destinados para a aplicação na zona da fralda, e a sua inclusão em produtos para crianças com menos de 3 anos deve ser acompanhada do alerta: “não utilizar na zona coberta pelas fraldas”.

Até à presente data, não existe evidência científica que comprove que os parabenos legalmente permitidos na composição de cosméticos possam constituir um risco para a saúde.

Além de se encontrarem obrigatoriamente em concentrações inferiores a 0,8%, estes ingredientes têm uma absorção limitada quando aplicados à superfície da pele, sendo rapidamente metabolizados e eliminados pelo organismo.

No entanto, os parabenos têm alguma atividade semelhante à dos estrogénios, hormonas sexuais, embora esta seja entre 10 mil a 2,5 milhões vezes inferior à do 17β-estradiol, estrogénio presente no organismo humano. Este facto levantou alguma preocupação no seio da comunidade científica, e levou à realização de diversos estudos experimentais.

Contudo, a organização Cosmetic Ingredient Review que avalia regularmente a toxicidade dos ingredientes cosméticos suporta a segurança o uso destes conservantes em produtos cosméticos.

A utilização dos parabenos em cosméticos é permitida pela Legislação Europeia, que estabelece concentrações máximas destes ingredientes.

Não existe evidência científica que levante preocupações quanto à segurança da utilização dos parabenos legalmente permitidos nos produtos cosméticos.

Os parabenos são os conservantes mais estudados e para os quais está melhor fundamentada a segurança.

Os esfoliantes com esferas de polietileno (microplásticos) são perigosos?

O polietileno é um polímero composto por unidades de etileno comumente usado em produtos cosméticos. Este composto pode ser utilizado no seu estado líquido como solvente ou agente viscosificante, ou no estado sólido sob a forma de pequenas esferas de plástico – microesferas (<5mm). As microesferas de polietileno são usadas em produtos esfoliantes devido à sua ação abrasiva, bem como em produtos de higiene corporal e pastas dentífricas.

A utilização de produtos cosméticos que contêm polietileno não representa qualquer perigo para a Saúde humana, tal como avaliado pela organização Cosmetic Ingredient Review, que analisa a segurança dos ingredientes cosméticos.

Estas microesferas poderão contudo ter um impacto negativo no meio ambiente. O uso de esfoliantes requer enxaguamento para a sua remoção e desta forma, as microesferas de polietileno podem atingir o meio aquático. A ocorrência de lixo marinho plástico é um problema de interesse crescente a nível mundial. Apesar do  contributo das microesferas de polietileno ser mínimo, existe  preocupação com a possibilidade de afetar a vida marinha e os ecossistemas aquáticos.

Atualmente, a utilização de microesferas de plástico nos produtos cosméticos é proibida nos Estados Unidos da América e no Reino Unido. A entidade Cosmetics Europe recomenda a sua descontinuação nos produtos cosméticos com enxaguamento, a partir de 2020. Na verdade, tem-se verificado uma tendência no sentido de diminuir a sua utilização na União Europeia, resultante de um esforço voluntário das indústrias cosméticas. Realce-se que existem atualmente alternativas naturais às esferas de polietileno que não representam perigo ambiental dada a sua natureza biodegradável.

A menção de polietileno (“polyethylene”) na lista de ingredientes de um produto cosmético não significa necessariamente a presença de microesferas, uma vez que este se pode encontrar no estado líquido ou outro, desempenhando diferentes funções. Destaque-se que o polietileno é reconhecido como um ingrediente de utilização segura para a saúde humana, nos vários estados físicos.

- O polietileno utilizado em produtos cosméticos não representa perigo para a Saúde humana

- A utilização de microesferas de plástico nos produtos cosméticos é proibida em alguns países e tem vindo a diminuir na União Europeia, devido aos efeitos nefastos que pode ter para os ecossistemas marinhos

Qual o pH ideal de um produto cosmético?

O pH da pele poderá variar de acordo com a etnia, género, região do corpo, idade ou perante alterações hormonais e patologias cutâneas. A escala de pH é uma escala numérica compreendida entre 1 e 14, sendo que o valor 1 corresponde ao mais ácido, 7 ao neutro e 14 ao mais alcalino ou básico. Não existe um pH ótimo a que todos os produtos cosméticos devam obedecer, nem se pode considerar que o pH neutro seja o mais vantajoso para a pele.

Os produtos cosméticos de aplicação cutânea são frequentemente formulados com um pH ligeiramente acídico uma vez que a pele, em resultado de fatores endógenos encontra-se revestida por um manto acídico: o filme hidrolipídico. Assim, um pH entre 4-4.5 favorece a integridade cutânea, evitando a instalação de organismos patogénicos que têm frequentemente preferência por meios mais alcalinos.
Além de favorecer a integridade cutânea, o pH ligeiramente ácido poderá contribuir para melhorar a estabilidade química e microbiológica do produto cosmético, assim como para aumentar a sua eficácia.

Contudo, a função de alguns produtos cosméticos implica que estes apresentem valores de pH muito diferentes do local anatómico onde serão aplicados como é o caso das tintas capilares, descolorantes ou depilatórios. Existem também produtos cosméticos com a função de repor estas alterações de pH, tais como finalizadores das colorações capilares ou dos condicionadores, ambos com pH acídico para contrariar a ação alcalina de procedimentos prévios.

A utilização repetida de produtos com pH muito afastado do pH do local de aplicação poderá implicar perturbação da integridade cutânea, o que nos conduz à importância da escolha de produtos adaptados à matriz de aplicação (pele, haste capilar ou mucosas) e à função pretendida. Para a utilização segura de determinados ingredientes, a legislação estabelece valores de pH recomendados em diferentes contextos.

- Não existe um pH considerado ótimo aplicável a todos os produtos cosméticos.

- Os produtos cosméticos devem preservar a integridade da barreira cutânea e a seleção do pH deverá ser efetuada atendendo à função e local de aplicação.

O sulfato de laurilo e sódio, ingrediente comum em champôs, é tóxico?

O sulfato de laurilo e sódio trata-se de um agente tensioativo aniónico (carga negativa) que apresenta elevado poder detergente. Inclui-se no grupo de tensioativos aniónicos designados como sulfatos, os quais podem ser utilizados em produtos de higiene, como é o caso dos champôs, em concentrações muito variáveis que podem ir até 50.0%.

Nenhum ingrediente desta classe de tensioativos consta como parte da lista das substâncias proibidas pela legislação. No entanto, são conhecidos alguns aspetos menos positivos associados a estes ingredientes. No contexto específico dos champôs, o sulfato de laurilo e sódio, pelo seu forte poder detergente, poderá apresentar um elevado efeito de remoção de lípidos do couro cabeludo e da haste capilar, alterando a qualidade dos mesmos. Sabe-se que estes ingredientes podem ser causa de irritação a nível ocular, da pele e do trato respiratório. Entre os tensioativos aniónicos da classe dos sulfatos, o sulfato de laurilo e sódio apresenta maior potencial para causar situações de irritação cutânea, principalmente em indivíduos com afeções dermatológicas. Apesar dos aspetos referidos, a sua utilização é considerada segura desde que esteja de acordo com o descrito na rotulagem e com os aspetos regulamentares em vigor.

Em geral, quanto maior o tempo de permanência na pele das formulações contendo este ingrediente maior a probabilidade de irritação. A ocorrência de reações cutâneas poderá estar ainda relacionada com a sua concentração na fórmula, a qual não deve ser superior a 1% em produtos para contacto prolongado com a pele. No entanto, não existem evidências de toxicidade a nível humano em resultado do contacto deste ingrediente ou dos seus derivados a partir de produtos cosméticos.

- A inclusão de sulfato de laurilo e sódio como agente tensioativo em produtos cosméticos é segura desde que utilizados de acordo com as condições previstas na legislação.
- Os tensioativos aniónicos da classe dos sulfatos são agentes de lavagem sujeitos a enxaguamento e, portanto, o seu tempo de contacto com a pele é reduzido, além de se encontrarem normalmente combinados com agentes suavizantes e em mistura com tensioativos com outras propriedades químicas, o que faz com que a probabilidade de ocorrência de efeitos indesejáveis seja reduzida.

Qual a composição de um champô?

Um champô é um produto de higiene corporal, que tem como principal função lavar o cabelo e couro cabeludo, podendo existir sob forma de líquido, creme ou pó. São requisitos desejáveis de um champô que, para além de limpar o cabelo e o couro cabeludo, não o desengordure em demasia, produza espuma abundante e cremosa, tenha consistência adequada, cor e aroma agradáveis, provoque o mínimo de irritação ocular e não interfira com as tintas do cabelo. Para dar resposta a todas estas exigências, os champôs têm uma composição diversificada. A título de exemplo poderão ser constituídos por:

  • Água (± até 50%) – é o componente maioritário, o veículo;
  • Detergentes (que também são tensioativos) (± até 2%) – lavam o cabelo e couro cabeludo, removendo a sujidade proveniente do meio ambiente, produtos de styling do penteado e sebo. Os tensioativos podem ser de vários tipos, tais como:
    - aniónicos – como por exemplo os alquilssulfatos (laurilétersulfato de sódio) ou os sulfosuccinatos (laurilsarcosinato de sódio);
    - anfotéricos – como as betaínas;
    - não iónicos – alcanolamidas de ácidos gordos.
  • Acondicionadores (± até 15%) – deixam o cabelo suave e sedoso após a lavagem, podem ser tensioativos catiónicos (compostos de amónio quaternário), silicones (dimeticone), propilenoglicol, glicerina ou lanolina e seus derivados;
  • Espessantes (± até 10%) – conferem maior consistência ao champô. Normalmente é utilizado o cloreto de sódio, ou outros sais ou derivados da celulose, propilenoglicol ou polímeros acrílicos;
  • Estabilizadores de espuma (± até 4%) – permitem que o champô faça espuma (como as alcanolamidas de ácidos gordos);
  • Conservantes (± até 1%) – reduzem contaminação microbiana e fúngica, antes e após a abertura (parabenos ou fenoxietanol);
  • Agentes quelantes (± até 0,5%) – previnem a formação de turvação (EDTA);
    Outros aditivos – como opacificantes (estearato de glicol), corantes, perfumes e ingredientes ativos (champôs para condições dermatológicas específicas).

Em suma, a composição de um champô é variável consoante a finalidade e as propriedades que se pretende atribuir ao champô, por exemplo um champô anticaspa terá na sua composição um ingrediente ativo com propriedades anticaspa.

- De um modo geral, um champô tem na sua constituição: água, detergentes, acondicionadores, espessantes, estabilizadores de espuma, conservantes, quelantes e pode ainda conter outros ingredientes.

- Os champôs são produtos cuja composição é muito variável, dependendo do fim a que se destinam e das propriedades cosméticas que se lhes pretende conferir.