Os esfoliantes com esferas de polietileno (microplásticos) são perigosos?

O polietileno é um polímero composto por unidades de etileno comumente usado em produtos cosméticos. Este composto pode ser utilizado no seu estado líquido como solvente ou agente viscosificante, ou no estado sólido sob a forma de pequenas esferas de plástico – microesferas (<5mm). As microesferas de polietileno são usadas em produtos esfoliantes devido à sua ação abrasiva, bem como em produtos de higiene corporal e pastas dentífricas.

A utilização de produtos cosméticos que contêm polietileno não representa qualquer perigo para a Saúde humana, tal como avaliado pela organização Cosmetic Ingredient Review, que analisa a segurança dos ingredientes cosméticos.

Estas microesferas poderão contudo ter um impacto negativo no meio ambiente. O uso de esfoliantes requer enxaguamento para a sua remoção e desta forma, as microesferas de polietileno podem atingir o meio aquático. A ocorrência de lixo marinho plástico é um problema de interesse crescente a nível mundial. Apesar do  contributo das microesferas de polietileno ser mínimo, existe  preocupação com a possibilidade de afetar a vida marinha e os ecossistemas aquáticos.

Atualmente, a utilização de microesferas de plástico nos produtos cosméticos é proibida nos Estados Unidos da América e no Reino Unido. A entidade Cosmetics Europe recomenda a sua descontinuação nos produtos cosméticos com enxaguamento, a partir de 2020. Na verdade, tem-se verificado uma tendência no sentido de diminuir a sua utilização na União Europeia, resultante de um esforço voluntário das indústrias cosméticas. Realce-se que existem atualmente alternativas naturais às esferas de polietileno que não representam perigo ambiental dada a sua natureza biodegradável.

A menção de polietileno (“polyethylene”) na lista de ingredientes de um produto cosmético não significa necessariamente a presença de microesferas, uma vez que este se pode encontrar no estado líquido ou outro, desempenhando diferentes funções. Destaque-se que o polietileno é reconhecido como um ingrediente de utilização segura para a saúde humana, nos vários estados físicos.

- O polietileno utilizado em produtos cosméticos não representa perigo para a Saúde humana

- A utilização de microesferas de plástico nos produtos cosméticos é proibida em alguns países e tem vindo a diminuir na União Europeia, devido aos efeitos nefastos que pode ter para os ecossistemas marinhos

Qual o pH ideal de um produto cosmético?

O pH da pele poderá variar de acordo com a etnia, género, região do corpo, idade ou perante alterações hormonais e patologias cutâneas. A escala de pH é uma escala numérica compreendida entre 1 e 14, sendo que o valor 1 corresponde ao mais ácido, 7 ao neutro e 14 ao mais alcalino ou básico. Não existe um pH ótimo a que todos os produtos cosméticos devam obedecer, nem se pode considerar que o pH neutro seja o mais vantajoso para a pele.

Os produtos cosméticos de aplicação cutânea são frequentemente formulados com um pH ligeiramente acídico uma vez que a pele, em resultado de fatores endógenos encontra-se revestida por um manto acídico: o filme hidrolipídico. Assim, um pH entre 4-4.5 favorece a integridade cutânea, evitando a instalação de organismos patogénicos que têm frequentemente preferência por meios mais alcalinos.
Além de favorecer a integridade cutânea, o pH ligeiramente ácido poderá contribuir para melhorar a estabilidade química e microbiológica do produto cosmético, assim como para aumentar a sua eficácia.

Contudo, a função de alguns produtos cosméticos implica que estes apresentem valores de pH muito diferentes do local anatómico onde serão aplicados como é o caso das tintas capilares, descolorantes ou depilatórios. Existem também produtos cosméticos com a função de repor estas alterações de pH, tais como finalizadores das colorações capilares ou dos condicionadores, ambos com pH acídico para contrariar a ação alcalina de procedimentos prévios.

A utilização repetida de produtos com pH muito afastado do pH do local de aplicação poderá implicar perturbação da integridade cutânea, o que nos conduz à importância da escolha de produtos adaptados à matriz de aplicação (pele, haste capilar ou mucosas) e à função pretendida. Para a utilização segura de determinados ingredientes, a legislação estabelece valores de pH recomendados em diferentes contextos.

- Não existe um pH considerado ótimo aplicável a todos os produtos cosméticos.

- Os produtos cosméticos devem preservar a integridade da barreira cutânea e a seleção do pH deverá ser efetuada atendendo à função e local de aplicação.